Folha Interativa

SECOS E MOLHADOS 1973

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Se em 1973 não se tivesse visto de tudo e mais alguma coisa no mundo em termos de talento, harmonia, luminosidade e brilho, eu diria que o Secos e Molhados seriam a maior banda de todos os tempos.

No Brasil havia sim um ar de deslumbre e e até perplexidade com o que viram e ouviram, mas o que se vira era mesmo de se assustar três rapazes completamente malucos, maquiados(a quem diga que o KISS os imitara quando os viu num show no México) e principalmente talentosos. Sua harmonia e musicalidade enquanto músicos era completamente desconcertante, mostrava algo nunca feito no Brasil antes, o rock que era um tipo de música que não agradava a maioria era admirado por todos que ouviam o disco lançado em 1973, de adultos a crianças mostravam-se maravilhados com as canções desse que foi um fenômeno de vendagens.

O disco Secos e Molhados 1973, teve uma tiragem inicial de 1500 cópias para vendagem segundo a gravadora para 1 ano, o disco vendeu as 1500 cópias em uma semana, tendo em menos de 1 ano a vendagem de 1200.000 cópias, vendagem essa incomum para a época, ou seja, ninguém tinha vendido essa proporção antes na história da industria fonográfica, isso para um gênero que não era uma unanimidade entre os brasileiros.

Mas como classificar o Secos e Molhados? Como rotular o o que não tem rotulagem, o que não se pode classificar.

O Secos não tinham uma classificação própria, não se auto intitulavam nada, era música popular brasileira com pitadas de estilos diferentes.

O disco começa já com clássico, “SANGUE LATINO”, uma canção extremamente sensível e letra totalmente poética de João Ricardo e Paulinho Mendonça. O que dizer então de “O VIRA”, onde mostra toda versatilidade da banda, guitarras, baterias pianos juntas a um acordeon e vozes em um entrosamento impressionante. “O PATRÃO NOSSO DE CADA DIA”, violões que mostram a delicadeza não só da canção mas da voz magnifica de Ney Matogrosso seguida de João Ricardo e Gérson Conrad.””AMOR”, um arranjo muito semelhante as músicas feitas pelas bandas americanas como por exemplo o Led Zepellin, violão, guitarra, e baixo bem marcado transformando a canção num rock visceral. “PRIMAVERA NOS DENTES”, um arranjo bem diversificado, onde mostra a intimidade de seus integrantes com o instrumento e com o improviso. “ASSIM ASSADO”, “MULHER BARRIGUDA”, trazem um peso e uma grandiosidade musical entre os membros da banda, que faz com que pensamos que a banda é mesmo uma banda pesada de rock (dos anos 70). “EL REY”, “PRECE CÓSMICA”, “RONDÓ DO CAPITÃO”, “AS ANDORINHAS”, mostram o quanto é importante essa obra, mas não podendo deixar de fora o grandes clássicos da MPB, “ROSA DE HIROSHIMA”, música de João Ricardo e letra tirada de uma poesia do grande Vinícius de Moraes, canção e letra, perfeitas uma simetria inacreditável e emocionante.

O disco termina com “FALA”, não há como classificar mesmo essa obra, violinos, viola caipira, acordeons, guitarras pesadas, baixos e baterias bem elaboradas, não tendo o que dizer quanto a grandiosidade dessa obra prima da música popular brasileira como a própria música “FALA”, diz, “eu não sei dizer nada por dizer, então eu escuto”, quanto a quem quer opinar a respeito desses grandes mestres que em apenas 2 anos de vida revolucionaram a industria musical como a própria música diz “se você quer dizer, então, FALA”.

 

 

Última atualização ( Sáb, 16 de Maio de 2009 18:31 )